segunda-feira, 16 de julho de 2007

No trânsito

Dia chuvoso, trânsito caótico, segunda-feira.....
Dá pra imaginar né....
Saio cedo, sempre o mesmo caminho, sempre a mesma estação de rádio, sempre as mesmas notícias. O locutor fala pelos auto-falantes do aparelho, com sua voz monótona:
- Lentidão na cidade, mais de 150 kilometros registrados pela CET, evitem a Marginal Pinheiros na altura da Ponte Morumbi, pois houve um engarrafamento e duas, de suas pistas, estão bloqueadas.
Penso comigo, que novidade.... E o pior é que meu destino é bem próximo do local mencionado. De qualquer maneira, estou praticamente parada no mesmo lugar faz uns 15 minutos. Aliás, não apenas eu, mas uma pequena multidão de veículos.
Pra passar o tempo, começo a prestar atenção aos meus companheiros de congestionamento.
Olho para o carro da esquerda e vejo uma mulher, aparentemente com seus 30 e poucos anos, com o quebra-sol abaixado e se maquiando, não me parece muito preocupada com o trânsito, pois enquanto se embeleza, canta alguma música que, acredito eu, esteja tocando em seu rádio.
O carro logo a minha frente tem duas pessoas, que pelo que posso perceber, estão discutindo, pois vejo mãos se movendo freneticamente e um olhando para o outro (homem e mulher), falando sem parar.
O da minha direita, penso ser algum vendedor, está falando ao celular, mexe muito com as mãos e as vezes bate no volante (deve estar bem nervoso).
Olho pelo retrovisor e percebo que o motorista do carro atrás do meu, teve a mesma ideia que tive, pois presta atenção aos motoristas vizinhos e está sorrindo despreocupadamente. Também sorrio, pois afinal qual a vantagem de se estressar se não conseguirei sair do lugar.
Coloco um CD e começo a curtir uma música agradável, esquecendo onde estou, para onde vou e o que vou encontrar.....

terça-feira, 12 de junho de 2007

Apenas mais uma história...

Tudo começou com uma despretensiosa viagem ao litoral norte de São Paulo. Foi tão despretensiosa que continua até hoje, talvez não da mesma forma, mas continua e com a maioria dos personagens. Ocorreram mudanças durante todo este tempo, alguns sumiram, outros estão sempre presentes e ainda outros são vistos eventualmente.
Durante esse período, tiveram grandes conquistas e descobertas, rolaram vários romances, uns duraram outros não. Mas o mais importante foram os sentimentos que nasceram desta história, aqueles que uniram pessoas tão diferentes, com a finalidade de torná-las mais felizes. Criaram-se famílias....vejam só....Vieram os novos integrantes, que já deixaram de ser bebes e passaram a adolescentes.
Assim é o tempo...Ele passa e não percebemos , não notamos que estivemos em constantes mudanças, nos tornamos mais sóbrios, responsáveis e acabamos esquecendo as coisas simples da vida. Começamos a dar mais valor ao “progresso” e conquistas pessoais, acumulamos bens materiais, trocamos de carro, de casa, de empregos, buscando sempre o “melhor” para nós...
Mas quando nos damos conta, já não somos mais jovens,nem cheios de energia e disposição para a vida e a alegria, pois acumulamos “bens” e não “bons” momentos, em algum lugar nós os perdemos por não prestarmos atenção a cada um deles e acabamos ficando insensíveis, cegos e egoístas.
Depois nos perguntamos: Como isso aconteceu?
Como não tivemos a capacidade de nos envolvermos mais com as coisas realmente importantes?
Simplesmente não mantivemos conosco a mesma disposição e boa vontade de quando éramos mais jovens e mais cheios de esperanças.
Penso que a maturidade é uma forma cruel de nos apontar os erros cometidos no caminho, para que possamos ajustar nossas vidas e percebermos o quão é importante o “agora” e o que devemos fazer com nosso tempo, nossas vidas e nossos sonhos.
Acho que os sonhos não morrem, assim como os verdadeiros sentimentos. Eles são apenas guardados em caixas e arquivados, assim, quem sabe um dia, possamos resgatá-los e apreciar estes bens tão preciosos que nos dão razão para viver.

Ainda me lembro daquela viagem...

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Compras, Tequila e analgésico.

Tudo começou com um encontro casual entre Berta e Luíza, numa loja de bolsas.
Ambas gostaram do mesmo modelo, que era clássico sem ser sóbrio. Porém, a vendedora lhes informou que aquela era a única bolsa disponível para venda, pois o modelo havia se esgotado rapidamente.
Berta, a mais indignada e irritada, logo começou a discutir com a pobre vendedora, falando alguns desaforos, achava que aquilo era um verdadeiro absurdo ter apenas um item disponível.
Luíza, a mais calma e equilibrada, para apaziguar a situação e salvar a vendedora da ira de Berta, disse que tudo bem, escolheria outro modelo.
Assim, terminada a discussão e outro modelo sendo escolhido por Luíza, Berta a convidou para um drink, pois afinal estava muito grata pela bondade da outra e se achava em débito.
Luíza aceitou o convite e se decidiram por um bar Mexicano, ao lado da loja de bolsas.
Acomodaram-se numa mesa ao lado de grandes janelas, para apreciarem o movimento lá fora. Pediram alguns petiscos e uma garrafa de tequila.
Na medida em que o tempo foi passando, a quantidade de tequila ia diminuindo na garrafa e subindo o nível alcoólico em Luíza, que não estava tão acostumada a bebidas fortes.
As duas falaram muito e riram bastante da situação, até que Luíza, munida de coragem por conta da tequila, disse à Berta:

- Sabe querida, eu realmente gostei muito daquela bolsa, fiquei bastante chateada com a situação.

- Mas você que abriu mão dela - disse Berta sem entender o que a outra queria.

- È, eu faço isso sempre e depois me arrependo.

- Olha Luíza, você me desculpe, mas o problema é seu. Quem não luta pelo que quer acaba sempre infeliz. E também não pedi para fazer isso. - Berta respondeu com o rosto vermelho de raiva.

- Eu sei, você tem razão Berta. - disse Luíza, remexendo em sua bolsa.

Encontrou um envelope de analgésico e o colocou em frente a Berta, levantando-se e dizendo:

- Fique com isto querida, também é o único, pois você precisará mais do que eu.

Berta nem sequer notou quando Luíza pegou a garrafa de tequila e a atirou diretamente em sua cabeça. Enquanto a garrafa acertava a cabeça de Berta, Luíza saiu do bar, meio cambaleante, mas extremamente satisfeita, finalmente acabara de fazer alguma coisa que lhe dera vontade.

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Em busca da terra do nunca....

Passamos muito tempo de nossas vidas buscando algo que de fato não existe.
Buscamos incessantemente um lugar de maravilhas infinitas e felicidades intermináveis.
Quanta expectativa acumulamos nesta vida... Esperando sempre que tudo seja da forma que assistimos nos filmes e lemos nos livros... Acreditando que num piscar de olhos, tudo se transformará em paraíso.
Só que, com o passar do tempo, acabamos descobrindo, com nossos próprios erros e julgamentos, que as coisas não são bem assim... O tão almejado paraíso não é exatamente como desejamos que seja. Muitas vezes ele se apresenta de formas diferentes e em tempos diferentes. Leva-se muito tempo para descobrir isso.
Aquilo que buscamos, que desejamos, que queremos muito, depende única e exclusivamente de nós mesmos. Somente nós podemos nos fazer felizes, somente nós acharemos por conta própria a felicidade e a paz de espírito, pois somente nós temos este poder.
As lições e exemplos da vida, estão aí, a nossa frente, em todas as circunstâncias, lugares e acontecimentos, para comprovar que o primeiro passo é nosso.
Quando deixarmos cair as cortinas da ilusão e enxergar com os olhos da alma, veremos que nem tudo está perdido, não existe a terra prometida, mas sim o dia-a-dia que construímos para nós.
O que existe realmente é o agora e o que decidimos fazer com ele, para valorizarmos o que é importante e essencial às nossas vidas.

terça-feira, 22 de maio de 2007

Olhos nos olhos.

Me olho no espelho pela manhã e vejo alguém que não conheço. O rosto amassado, o cabelo desalinhado, o pijama todo torto e os olhos (ah... esses sim são os grandes vilões), estão opacos, sem brilho e sem vida. Que horror!
Arregalo bem os dois e procuro minuciosamente as características que antes eu via, tais como, alegria, vivacidade, entusiasmo e muito brilho....
Sei que estão lá, em algum lugar, pois as coisas não se perdem assim, de uma hora para outra...
Fixo tanto meu olhar no espelho que meus olhos ficam ardentes e cansados, mas resolvo não esquentar com isso, melhor tomar um banho relaxante, vestir uma roupa bonita e me maquiar, para melhorar o visual.
Tudo feito, volto ao espelho e, para minha surpresa, os mesmos olhos se refletem! Mas que droga! Dane-se! Meio aborrecida sigo meu dia.
Porém, no decorrer do período, isso não me sai da cabeça. Em algum momento me lembro que li ou ouvi algo assim " Os olhos são o espelho da alma " e em choque percebo que realmente é isso que me incomoda, o problema não é externo, mas sim o que vem de dentro de mim. Procuro recordar qual foi a última vez que vi meus olhos brilharem, mas não consigo me lembrar... O que foi que aconteceu?
Praticamente em pânico, decido que não quero mais esta situação. Pego as páginas amarelas e busco desesperadamente um terapeuta, psicólogo, psiquiatra, ou qualquer pessoa que me ajude.
Mas alguns momentos depois, recebo um e-mail vindo de uma amiga (inclusive é a mesma que escreveu o texto abaixo sobre liberdade " a Marta"), respiro fundo e presto atenção a mensagem e para meu conforto, era exatamente o que eu precisava ouvire também ler o texto que ela escreveu. Coisas simples como a liberdade de dirigir, ter amigos, bater papo, etc...
Assim, quando olhar meus olhos novamente no espelho, lembrarei da mensagem e tenho absoluta certeza de que serão os velhos olhos brilhantes e cheios de entusiasmo que verei!

Liberdade e dependência

Liberdade pra mim é sinônimo de leveza. Liberdade não é simplesmente poder ir e vir, não é simplesmente poder fazer algo, a liberdade está ligada a sensação de leveza que esse caminhar ou esse fazer te causa.

Já que esse espaço é pra chapar nas idéias, vou viajar nessa minha grande dúvida da vida. A dependência que eu tenho da liberdade e da dependência que tenho das coisas que me causam essa sensação de leveza e de liberdade.

To sem carro há aproximadamente 40 dias e descobri o quanto sou dependente do meu carro. Mas, não exclusivamente do carro, de um determinado carro. Mas, da sensação de leveza e liberdade que dirigir me proporciona. Eu posso ir e vir pra onde quiser, de taxi, de avião, de metro, whatever. Mas, nada se compara à sensação de poder ir e vir com meu próprio carro. Sem meu carro decido não ir e fico presa. Presa pelo que eu mesma determinei por liberdade.

Outro dia rodei 2000 km porque optei por viajar de carro e não de avião, alguns ficaram me achando uma doida, outros ficaram preocupados com o meu cansaço ou com os riscos da viagem. Eu simplesmente adorei! No final até estava um pouco fisicamente cansada, mas estava leve, livre. Vai entender!

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Renascer

Há momentos na vida em que nos sentimos profundamente sozinhos, deixamos que a angústia tome conta de nosso coração, nossa alma e nossa vida. Então, parece que nada mais tem graça, nada tem luz e nem brilho. Não conseguimos nos mover, nem sorrir, nem deixar que o Sol ilumine nosso caminho. Os dias são todos nublados, chuvosos e frios.
Porém, apesar de tudo que nos faz sentir isso, a vida continua, ela está ai, só esperando que façamos nossa parte.
E qual é nossa parte?
É apenas deixarmos que os pensamentos e sentimentos ruins irem embora. Expulsá-los de nossa mente, não aceitá-los mais como nossos.
Faz-se necessário que acreditemos na vida, no divino milagre que se mostra todos os dias, todas as horas e todos os momentos. Basta olharmos para todos os lados com os olhos do coração e ver quanta vida existe por ai, quanta beleza. O Universo nos mostra infinitas possibilidades.
Contudo, sei que as coisas não são tão simples, mas precisamos crer, precisamos seguir o único caminho possível... Sempre em frente... Sempre em busca da felicidade e da realização.
Vamos renascer!